Estudos sobre o condicionamento de som (TSC)

O que as pesquisas sobre a tecnologia encontraram, como foram feitas e o que elas ainda não respondem.

O que você precisa saber antes de ler

  • Os estudos com pessoas mediram o limiar auditivo, ou seja, o som mais fraco que a pessoa percebe em determinada frequência. Nenhum deles teve o zumbido como resultado principal.
  • Os estímulos foram entregues por aparelho auditivo ou player de áudio. Até o momento, não conhecemos estudo publicado que tenha avaliado o aplicativo Biosom.
  • Todos os estudos com TSC em pessoas resumidos nesta página têm ligação com a Earlogic, empresa coreana que desenvolveu a tecnologia, e tiveram poucos participantes. Faltam estudos independentes, maiores e com acompanhamento longo.

Ensaio randomizado publicado em 2020

É o estudo de desenho mais forte que conhecemos sobre a tecnologia. Foi publicado na revista Laryngoscope Investigative Otolaryngology, com protocolo aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Stanford e financiamento declarado do Korea-Seoul Life Science Fund.

DesenhoDuplo-cego, randomizado, com grupo controle
Participantes42 randomizados e 39 analisados: 23 no grupo TSC e 16 no controle
IntervençãoAparelho auditivo com TSC, 1 hora por dia, por 2 a 3 semanas, no nível mínimo audível
ResultadoMelhora de 10 dB ou mais em ao menos uma faixa, sem piora em outra: 43% no grupo TSC e 25% no controle. Somando quem melhorou em uma faixa e piorou em outra: 78% e 44%, diferença que o artigo relata como significativa. Só piora: 13% e 44%
LimitesAmostra pequena, tempo curto e efeito em faixa estreita. No grupo TSC, 8 das 18 pessoas contadas nos 78% também pioraram 10 dB ou mais em outra faixa

Conflito de interesse: a declaração original de ausência de conflito foi corrigida. Segundo a errata de 2021, Sangyeop Kwak é fundador e CEO da Earlogic Korea, Chief Science Officer da Sound Vaccine e detém a propriedade intelectual do método TSC. Eunyee Kwak é CEO da Sound Vaccine.

Outros estudos com pessoas

EstudoO que foi feitoO que foi observadoObservações
Samsung Medical Center, Seul9 pacientes com perda em tons agudos, 2 semanas de condicionamentoQueda média de 8,91 dB no limiarSem grupo controle. 13 pessoas entraram e 9 foram analisadas. A média vem de 63 amostras e é puxada por um paciente com melhora muito acima dos demais; o próprio documento traz outra análise, com 6,67 dB. Financiado pela Earlogic. Não encontramos publicação revisada por pares
Hospital da Universidade Chung-Ang, Seul35 pessoas concluíram; 1 hora por dia, por 2 semanas, com player de áudio em casaMédia de 6 dB em uma análise que só aproveitou faixas com grande variação, atribuindo zero a quem não tinha faixa válida. Só 19 das 35 pessoas tinham alguma faixa válidaCada pessoa foi comparada com ela mesma. Esse número não é a melhora média do grupo. Patrocinado pela Earlogic. Não encontramos publicação revisada por pares
Earlogic, congresso ARO, 201117 pessoas com perda neurossensorial, estímulo personalizado em 1 ou 2 frequências12 pessoas tiveram queda de pelo menos 6 dB, com média de 13,51 dB nesse subgrupoResumo de congresso. A média considera só quem melhorou
Registro NCT01184248Estudo de grupo único, não randomizado, da Earlogic, concluído em 2011Sem resultados publicados no registroServe como registro do estudo, não como evidência de eficácia

A pesquisa que deu origem à ideia

Experimentos em animais mostraram que a exposição prévia a sons de baixa intensidade, o chamado condicionamento de som, pode reduzir os danos causados por ruído traumático. Em 1999, Kujawa e Liberman relataram em cobaias que o condicionamento de longo prazo aumentou a sensibilidade da cóclea. Esses resultados motivaram os estudos com pessoas, mas achados em animais não podem ser transferidos diretamente para humanos.

Referências usadas nos trabalhos

  1. Protection against noise trauma by pre-exposure to a low level acoustic stimulus. Hear Res, 1988;34:197-200.
  2. Effect of low level acoustic stimulation on temporary threshold shift in young humans. Hear Res, 1992;60:149-155.
  3. Protecting against noise trauma by sound conditioning. J Sound Vib, 2002;250:115-118.
  4. Enriched acoustic environment after noise trauma reduces hearing loss. J Neurosci, 2005;25:699-705.
  5. Long-term sound conditioning enhances cochlear sensitivity. J Neurophysiol, 1999;82:863-873.

O Biosom não é um dispositivo médico e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento com médico ou fonoaudiólogo. Este conteúdo é informativo.

Fontes

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